Quando e como você subiu no skate pela primeira vez?
Chavero: Comecei a andar vendo o Laurence, Bambam e o Morto andando lá perto de casa, daí eu montei um skate em 2000 e comecei a andar e to aí até hoje! Eu colava na Brama (Guarulhos) com meu primo, depois comecei a ir nos campeonatos, foi onde conheci os moleques do centro de São Paulo e agora eu ando mais lá com eles.
Java: Teve uma demo na minha escola, daí eu vi, gostei e comecei. No começo eu andava nuns obstáculos na rua de casa, depois comecei a andar no Vale. A maior parte do tempo desses 7 anos de skate eu andei no Vale.

Quais são as coisas boas e as coisas ruins de andar no centro?
Chavero: A coisa boa é que meus amigos estão sempre juntos no centro e a gente se empenha todo mundo junto pra evoluir. As coisas ruins são os mendigos que atrapalham, a polícia.
Java: É a mesma idéia… o bom são os amigos juntos e o ruim é que rola várias tretas na rua, vê os cara se matando…

Qual foi a coisa mais bizarra que você viu no Anhagabaú?
Java: Os caras pegaram um “jack”(estuprador), deram um salve nele e bateram até ele morrer. Eu vi tudo. Cabrero…
Chavero: Eu vi um cara se jogando do Viaduto do Chá. Nunca mais vou esquecer essa cena.

Muitos skatistas disvirtuam da carreira por alguma tentação de dinheiro fácil. Vocês já presenciaram isso de perto?
Chavero: Tem muita gente que começa a andar de skate e pensa que vai ganhar muito dinheiro, mas na verdade é só por amor mesmo, a gente se empenha porque gosta da parada e estamos tentando fazer acontecer. Vai de cada um, não sei o que acontece com quem pára de andar, às vezes faz um filho, precisa sustentar a família… eu moro no gueto e tenho vários amigos, primo que acabaram caindo nesse mundo mas isso não é pra mim.
Java: É cabrero. Ás vezes o cara ta numa situação ruim, precisa do dinheiro e não consegue com skate, daí ele conhece uns caras na área dele, começa a fazer umas fitas, entra um dinheiro mais fácil, daí já parte pra outra vida. Oportunidade eu já tive lá na área, conheço vários moleque faz tempo, mas eu não deixo me levar por isso.

A galera te conhece como Java, da onde veio esse apelido?
Foi numa brincadeira, tavam várias pessoas um chamando o outro de Java. Daí o Rodrigo tava junto e na hora que ele foi sair fora foi se despedindo das pessoas e falou pra mim “Falou Java”. Daí ficou.

E Chavero, da onde veio?
Eu andava com o Laurenci, Morto, Bambam e eu era o menor da banca. Daí uma vez começou alguém brincou “ah firmeza, vou começar a te levar no bolso pros campeonato, você é pequeno mesmo…” daí começou, alguém chamou de Chaveiro, Chaveirinho…. Dai como eu não gostava, os caras começaram a me zuar… dai pegou… fazer o quê?! rs

Quais são os dois tons da sua vida?
Chavero: Viver pelas pessoas que eu amo e andar de skate.
Java: Skate e minha família.

Quem são suas influências?
Chavero: Eu sempre tive como influência o Chupeta, Bambam, Rodrigo, Gordo, Alex… sempre os caras que sempre foram streeteiros de verdade mesmo.
Java: O Zikk, Rodrigo, o Bambam também, no começo eu via umas paradas dele na revista… o Formiguinha.

Desde quando vocês andam de skate juntos?
Java: Faz uns 4 anos… colamo em vários campeonato junto, vários rolês na rua, já passamos vários perreio juntos.
Chavero: Tem várias histórias que a gente passou junto. Desde pivete que a gente anda de skate junto, tamo crescendo junto.

Foram inúmeras as vezes que vocês saíram juntos para filmar para esta parte. Como é esse dia-a-dia?
Java: É da hora! Um incentivando o outro pra andar. Um volta a manobra já incentiva o outro…

Vocês dois foram os fundadores da KDC? O que é a KDC? O que vocês querem com a KDC?
Java: A idéia surgiu num dia que tava eu o Chavero e o Zé na casa do Chavero, daí do nada a gente resolveu fazer um crew. Era mais zoeira mesmo, sem pretensão nenhuma, daí aconteceram algumas coisas e a gente ficou meio surpreso. Agora a gente está tendo outras idéias para evoluir a parada e dar continuidade.
Chavero: É da hora que é a nossa família. O que a gente puder fazer pelo skate e tiver condição de fazer a gente vai fazer.

É a primeira vez que vocês estão filmando para uma parte de vídeo. Qual a importância disso para vocês?
Java: Eu gosto bastante de andar na rua e é difícil fazer uma parte de vídeo, por isso é uma evolução pra mim.
Chavero: Acho que todo skatista tem o sonho de fazer uma parte de vídeo. Não tem preço. Ainda mais fazer uma parte junto com o Java, meu parceiro… daqui uns anos a gente faz outra parte junto… é história mesmo… Pra gente que é novo, estamos fazendo parte no mesmo vídeo que outros caras de nome, de respeito, então pra gente vai ser da hora, é uma responsa da hora. Nunca imaginei estar no mesmo vídeo que esses caras. Vai ser um prazer muito grande.


Quais as dificulades de filmar uma parte de vídeo?
Java: Pra mim foi quando eu quebrei o pé. Fiquei quatro meses parado. Foi foda mas ao mesmo tempo aprendi muita coisa, como ser mais calmo. Vi os caras que são meus amigos e estavam sempre do meu lado.
Chavero: Eu vi que para se fazer uma parte boa mesmo precisa viajar pra filmar em vários picos diferentes. Você pode andar muito mas se ficar num lugar só fica meio enjoativo. Tem que viajar, só que pra gente é difícil porque a gente não tem condição de viajar pros lugares que a gente quer ir, ou então a gente vai como sempre, na roubada, dependendo de tênis, shape e roupa pra vender… e anda né! Tem que andar!


Java pergunta: quais os motivos que fazem você sair de Guarulhos pra andar aqui no centro?
Mais pelos amigos mesmo. Guarulhos é uma hora e meia do centro de São Paulo, é um rolezinho, meio longe mas tem que ir a luta… em Guarulhos tem lugar pra andar de skate, mas no centro eu também me sinto em casa. A gente anda de skate, zoa, faz outros rolês… essas são as melhores coisas. E também porque no centro tem tudo pra andar. Se eu quiser treinar pra pular um gap, tem o big two (gap no Vale), manual, borda, tem tudo. Não é perfeito mas não é ruim. É ideal.

Chavero pergunta: Java, qual pico você tem mais vontade de conhecer pra andar de skate?
Barcelona.