Quais são as coisas boas e as coisas ruins de andar no centro?
Chavero: A coisa boa é que meus amigos estão sempre juntos no
centro e a gente se empenha todo mundo junto pra evoluir. As coisas ruins são
os mendigos que atrapalham, a polícia.
Java: É a mesma idéia… o bom são os amigos juntos
e o ruim é que rola várias tretas na rua, vê os cara se
matando…
Qual foi a coisa mais bizarra que você viu no Anhagabaú?
Java: Os caras pegaram um “jack”(estuprador), deram um salve nele
e bateram até ele morrer. Eu vi tudo. Cabrero…
Chavero: Eu vi um cara se jogando do Viaduto do Chá. Nunca mais vou esquecer
essa cena.
Muitos skatistas disvirtuam da carreira por alguma tentação
de dinheiro fácil. Vocês já presenciaram isso de perto?
Chavero: Tem muita gente que começa a andar de skate e pensa que vai
ganhar muito dinheiro, mas na verdade é só por amor mesmo, a gente
se empenha porque gosta da parada e estamos tentando fazer acontecer. Vai de
cada um, não sei o que acontece com quem pára de andar, às
vezes faz um filho, precisa sustentar a família… eu moro no gueto
e tenho vários amigos, primo que acabaram caindo nesse mundo mas isso
não é pra mim.
Java: É cabrero. Ás vezes o cara ta numa situação
ruim, precisa do dinheiro e não consegue com skate, daí ele conhece
uns caras na área dele, começa a fazer umas fitas, entra um dinheiro
mais fácil, daí já parte pra outra vida. Oportunidade eu
já tive lá na área, conheço vários moleque
faz tempo, mas eu não deixo me levar por isso.
A galera te conhece como Java, da onde veio esse apelido?
Foi numa brincadeira, tavam várias pessoas um chamando o outro de Java.
Daí o Rodrigo tava junto e na hora que ele foi sair fora foi se despedindo
das pessoas e falou pra mim “Falou Java”. Daí ficou.
E Chavero, da onde veio?
Eu andava com o Laurenci, Morto, Bambam e eu era o menor da banca. Daí
uma vez começou alguém brincou “ah firmeza, vou começar
a te levar no bolso pros campeonato, você é pequeno mesmo…”
daí começou, alguém chamou de Chaveiro, Chaveirinho….
Dai como eu não gostava, os caras começaram a me zuar… dai
pegou… fazer o quê?! rs
Quais são os dois tons da sua vida?
Chavero: Viver pelas pessoas que eu amo e andar de skate.
Java: Skate e minha família.
Quem são suas influências?
Chavero: Eu sempre tive como influência o Chupeta, Bambam, Rodrigo, Gordo,
Alex… sempre os caras que sempre foram streeteiros de verdade mesmo.
Java: O Zikk, Rodrigo, o Bambam também, no começo eu via umas
paradas dele na revista… o Formiguinha.
Desde quando vocês andam de skate juntos?
Java: Faz uns 4 anos… colamo em vários campeonato junto, vários
rolês na rua, já passamos vários perreio juntos.
Chavero: Tem várias histórias que a gente passou junto. Desde
pivete que a gente anda de skate junto, tamo crescendo junto.
Foram inúmeras as vezes que vocês saíram juntos
para filmar para esta parte. Como é esse dia-a-dia?
Java: É da hora! Um incentivando o outro pra andar. Um volta a manobra
já incentiva o outro…
Vocês dois foram os fundadores da KDC? O que é a KDC?
O que vocês querem com a KDC?
Java: A idéia surgiu num dia que tava eu o Chavero e o Zé na casa
do Chavero, daí do nada a gente resolveu fazer um crew. Era mais zoeira
mesmo, sem pretensão nenhuma, daí aconteceram algumas coisas e
a gente ficou meio surpreso. Agora a gente está tendo outras idéias
para evoluir a parada e dar continuidade.
Chavero: É da hora que é a nossa família. O que a gente
puder fazer pelo skate e tiver condição de fazer a gente vai fazer.
É a primeira vez que vocês estão filmando para
uma parte de vídeo. Qual a importância disso para vocês?
Java: Eu gosto bastante de andar na rua e é difícil fazer uma
parte de vídeo, por isso é uma evolução pra mim.
Chavero: Acho que todo skatista tem o sonho de fazer uma parte de vídeo.
Não tem preço. Ainda mais fazer uma parte junto com o Java, meu
parceiro… daqui uns anos a gente faz outra parte junto… é
história mesmo… Pra gente que é novo, estamos fazendo parte
no mesmo vídeo que outros caras de nome, de respeito, então pra
gente vai ser da hora, é uma responsa da hora. Nunca imaginei estar no
mesmo vídeo que esses caras. Vai ser um prazer muito grande.
Quais as dificulades de filmar uma parte de vídeo?
Java: Pra mim foi quando eu quebrei o pé. Fiquei quatro meses parado.
Foi foda mas ao mesmo tempo aprendi muita coisa, como ser mais calmo. Vi os
caras que são meus amigos e estavam sempre do meu lado.
Chavero: Eu vi que para se fazer uma parte boa mesmo precisa viajar pra filmar
em vários picos diferentes. Você pode andar muito mas se ficar
num lugar só fica meio enjoativo. Tem que viajar, só que pra gente
é difícil porque a gente não tem condição
de viajar pros lugares que a gente quer ir, ou então a gente vai como
sempre, na roubada, dependendo de tênis, shape e roupa pra vender…
e anda né! Tem que andar!
Java pergunta: quais os motivos que fazem você sair de Guarulhos
pra andar aqui no centro?
Mais pelos amigos mesmo. Guarulhos é uma hora e meia do centro de São
Paulo, é um rolezinho, meio longe mas tem que ir a luta… em Guarulhos
tem lugar pra andar de skate, mas no centro eu também me sinto em casa.
A gente anda de skate, zoa, faz outros rolês… essas são as
melhores coisas. E também porque no centro tem tudo pra andar. Se eu
quiser treinar pra pular um gap, tem o big two (gap no Vale), manual, borda,
tem tudo. Não é perfeito mas não é ruim. É
ideal.
Chavero pergunta: Java, qual pico você tem mais vontade de conhecer
pra andar de skate?
Barcelona.